quarta-feira, 11 de maio de 2011

Educação Infantil: ludicidade, relações étnico-raciais e cidadania


Cristiane da Silva Brandão
Cientista social e pedagoga

A Lei 10.639/03 (alterada pela Lei 11.645/08) aponta para a necessidade de trabalhar questões pertinentes à relação étnico-racial na Educação Básica. Embora a obrigatoriedade legal seja restrita aos Ensinos Fundamental e Médio, o educador pode tornar possíveis propostas educativas que enfatizem aspectos da história e cultura afro-brasileira e indígena ainda na Educação Infantil. Mas como pode ser feita essa articulação?
Na verdade, como está expressa na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (Lei 9.394/96), a Educação Infantil (creches e pré-escolas) é a primeira etapa da Educação Básica e visa o pleno desenvolvimento da criança (de zero a cinco anos de vida) em todos os aspectos. Mesmo não tendo função propedêutica, é essencial acompanhar e registrar todo o desenvolvimento da primeira infância, avaliando e verificando sua integração com todos os envolvidos no processo de aprendizagem para melhor formação do ser e construção afirmativa de sua identidade.
Nesse contexto, o espaço da Educação Infantil deve ser privilegiado para o estabelecimento de inúmeras relações sociais em que haja, para cada ser em particular, aprendizagens significativas.
Por outro lado, as múltiplas linguagens podem favorecer e contribuir para um real desenvolvimento dessa fase peculiar da infância. A utilização de brincadeiras como recurso pedagógico é uma excelente via para a efetivação das propostas de aprendizagem relacionadas à cooperação, à socialização de valores, respeito ao outro, superação das diferenças e aceitação do próprio ser.
O educador precisa estar atento ao lúdico e ao processo criador que deve ser trabalhado no dia a dia do pequeno infante, além de estar sensível para a importância do faz de conta e explorar questões de atitude, cruciais para as relações étnico-raciais e para o desenvolvimento integral da criança.
A criança aprende brincando e todos os conteúdos poderão ser ensinados através das brincadeiras e jogos, em atividades predominantemente lúdicas. Não existe nada que a criança precise saber que não possa ser ensinado brincando (Lima, 1987, p. 33).
Dessa forma, percebemos que a brincadeira é fundamental para a formação social da criança, que, por meio dela, cria situações, integra-se com a sociedade e transforma o seu mundo, relacionando-se com as demais pessoas a sua volta.
Os estudos de Donald W. Winnicott fomentam que o ato de brincar conduz aos relacionamentos em grupo e é mais que a mera satisfação de desejos. “É o fazer em si, um fazer que requer tempo e espaço próprios, um fazer que se constitui de experiências culturais, (...) podendo ser uma forma de comunicação consigo mesmo (criança) e os outros” (1975, p. 63).
Pelas repetições de determinadas ações imaginadas, baseadas em polaridades (presença / ausência, bom / mau, passividade / atividade, feio / bonito...), a criança pode internalizar e elaborar emoções e sentimentos, além de desenvolver um sentido próprio de moral e de justiça. Portanto, no faz de conta a criança torna-se capaz “não só de imitar a vida como também de transformá-la” (Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, 1998).
Conforme a Multieducação (1996), o trabalho pedagógico deve ser pautado naquilo que a criança domina e conhece, utilizando atividades que enfoquem a cultura da criança, respeitando o que ela tem para oferecer ao grupo: “nos jogos ou brincadeiras, a criança age como se fosse maior do que a realidade, e isso inegavelmente contribui de forma intensa e especial para o seu desenvolvimento”. Kishimoto (2005, p. 28) afirma que, “ao atender às necessidades infantis, o jogo infantil torna-se uma forma adequada para a aprendizagem”.
Outro aspecto importante está relacionado à observação do mediador nesse processo de aprendizagem, em que se estabelecem as relações étnico-raciais na Educação Infantil a partir do lúdico. Sendo assim, “cada educador registra acontecimentos novos, conquistas e/ou mudanças do grupo e de determinadas crianças, situações e dados significativos acerca do trabalho realizado e interpretações sobre as próprias atitudes e sentimentos” (Multieducação, 2006, p. 31).
As relações étnico-raciais não acontecem a partir do Ensino Fundamental; pelo contrário, estão presentes em toda a história de nossas vidas. Devemos auxiliar os pequenos cidadãos a valorizar suas diferentes características étnicas e culturais desde a Educação Infantil. Acreditamos e queremos corroborar a afirmação de Paulo Freire (1987) de que “todo o futuro é a criação que se faz pela transformação do presente”. Entretanto, não podemos esperar que as crianças deixem a Educação Infantil para orientá-las quanto a questões tão relevantes para sua formação pessoal e social, a fim de que saibam como intervir e construir a sua própria história de vida, numa “pedagogia da autonomia”, na construção efetiva de sua cidadania e de formas mais complexas de sua consciência.

Referências bibliográficas

BRASIL. MEC. Orientações e ações para a educação das relações étnico-raciais. Brasília: MEC/SECAD, 2006.
BRASIL. MEC/SEF. Referencial curricular nacional para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998.
FREIRE, P. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez, 1987.
FREIRE, P. Educação como prática de liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
KISHIMOTO, Tizuko Morchida. O jogo e a educação infantil. In: KISHIMOTO, T.
M. (org.). Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 2005.
LIMA, Adriana Flávia S. de Oliveira. Pré-escola e alfabetização: uma proposta baseada em P. Freire e J. Piaget. Petrópolis: Vozes, 1987.
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO. Núcleo Curricular Básico Multieducação. Rio de Janeiro, 1996.
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO. Temas em debate. Multieducação. Rio de Janeiro, 2006.
WINNICOTT, D. W. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.

sábado, 7 de maio de 2011

Feliz Dia das Mães!

Beijo de mãe cura dor

Por Mariana Moura

Todos nós já ouvimos quando crianças que, após uma queda, era só "dar beijo" que passava. Mais tarde, quando adultos, repassamos o ensinamento aos nossos filhos sem imaginar que o fato é cientificamente comprovado. É o que relata a pediatra e especialista em dor do Hospital Pequeno Príncipe, Luciane Valdez: "Sabemos que toda vez que se dá ou recebe carinho, uma área do cérebro é ativada, que libera descargas elétricas que diminuem a dor da criança", explica a médica.
Mãe de uma menina de 9 anos, a jornalista Karina Fernandes, sabe o poder de um carinho ou uma atenção especial na hora certa. "A Letícia corre muito e toda hora se machuca. Como passamos o dia inteiro longe uma da outra, é normal que ela queira colo, principalmente quando rala o braço ou o joelho brincando", conta Karina. A publicitária Thais Farias faz o mesmo com o pequeno João, filho de 3 anos. "Mesmo tomando cuidado, criança sem cai, faz parte do aprendizado. É raro o João chorar, mas quando isso acontece, dar beijo é milagroso, passa na hora", comenta.
De acordo com Luciane, não é só o beijo que faz a dor passar. "Massagem, cafuné, colo: sabemos que todas essas demonstrações de afeto provocam essa sensação de prazer e proteção. A dor não é só o trauma, tem uma história por trás, é multifatorial. E a intensidade e valorização variam de acordo com a pessoa", relata a pediatra. A medicina revela ainda que é importante também que os filhos demonstrem afeto aos pais. "Todos buscamos pessoas que nos acolhem. Notamos que doenças crônicas são mais comuns em pessoas mais sozinhas, deprimidas. Para uma boa recuperação, seja em casa ou num hospital, é essencial o carinho da família, da equipe médica, dos profissionais de saúde envolvidos", explica . 

Brincar é mais que aprender

Lino de Macedo

A brincadeira é uma experiência essencial, um modo de decidir como percorrer a própria vida com responsabilidade

Para as crianças, o brincar e o jogar são modos de aprender e se desenvolver. Não importa que não saibam disso. Ao fazer essas atividades, elas vivem experiências fundamentais. Daí porque se interessam em repeti-las e representá-las até criarem ou aceitarem regras que possibilitem compartilhar com colegas e brincar e jogar em espaços e tempos combinados.

Por que jogar e brincar pede a repetição? Esses desafios encantam pelo prazer funcional de sua realização. Mesmo que se cansem, as crianças querem (esperam) continuar jogando e brincando. Há um afeto perceptivo, ou seja, algo que agrada ao corpo e ao pensamento. Até o medo e a dor ficam suportáveis, interessantes, porque fazem sentido. Por isso, trata-se de uma experiência que pede repetição por tudo aquilo que representa ou mobiliza. Graças a isso, aprendemos a identificar informações ou qualidades nas coisas ou em nós mesmos - para reconhecer coisas agradáveis e desagradáveis e, assim, variar as experiências e combiná-las das mais variadas formas.

Por que jogar e brincar são formas de representação? Uma das conseqüências maravilhosas, nesse contexto de repetir, variar, recombinar e inventar, é poder criar representações. Quando brincam de casinha, as crianças vivem a experiência de reconstruir o cotidiano e simbolizar a vida. Graças a isso, podem suportar ou compreender os tempos que a mãe, por exemplo, fica longe delas. Representar, mesmo num contexto de faz-de-conta, supõe envolvimento. O representado não está fisicamente aqui, mas simbolicamente sim. Envolver-se é relacionar-se com as coisas de muitos modos. E inventar situações mediadas por pensamentos e histórias construídos na brincadeira. É estar entre, fora, longe, perto, acima, abaixo, é construir simbolicamente um modo de imitar, jogar, sonhar, comunicar e falar com o mundo, inventando uma história nos limites das possibilidades e necessidades.

No primeiro ano de vida, a criança aprende a distinguir entre um sugar que alimenta (o seio) e um sugar que não alimenta (no vazio ou aplicado a um objeto). Graças a isso, pode continuar sugando pelo prazer. A partir do segundo ano, ela aprende a representar, a substituir as coisas pelos sons ou gestos que lhes correspondem. Mas, igualmente, aprende a usar as representações para simbolizar, isto é, recriar a seu modo as coisas e pessoas que lhe são caras. Aprende a jogar ou brincar com a realidade, para representá-la. No processo de desenvolvimento, essas transformações separam sua vida em antes e depois. 

domingo, 13 de março de 2011

O ano de 2011 iniciou com novidades na Creche Odetinha por conta do “mexidão” que aconteceu entre os AACs da 3ª CRE.
O quadro de funcionários da creche ainda não está completo e alguns AACs permanecem somente aguardando a saída para o novo espaço.
Creio que em breve o blog estará sendo atualizado com as novidades. Afinal este é o perfil da Creche Odetinha: promover encontros, inovações, trazendo do seu interior as mensagens importantes sobre a Educação Infantil e todo trabalho realizado pela equipe.
Contamos com a atenção recebida pelos visitantes e pedimos a colaboração de um tempo maior para a reformulação deste espaço.
Atenciosamente,
Equipe Odetinha